Contadora Especialista na área Abertura de empresa · 08 jun 2026
A resposta é sim: um dentista pode abrir um Empreendedor Individual (EI) e formalizar sua atividade profissional. Para quem está dando os primeiros passos no empreendedorismo odontológico, essa pode ser uma alternativa simples, acessível e com menos burocracia do que outras estruturas jurídicas.
Mas será que o EI é a escolha certa para o seu momento? Neste artigo, explicamos o que é o EI, como funciona para dentistas, quais são as vantagens, as limitações e o passo a passo para se formalizar em 2026.
O Empreendedor Individual é uma categoria jurídica criada no Brasil em 2009 com um objetivo claro: facilitar a formalização de profissionais que atuam por conta própria, com custos reduzidos e processo simplificado.
Diferente do MEI (Microempreendedor Individual), o EI não tem restrição de atividade por CNAE e pode ser usado por profissionais de nível superior, como dentistas. Em 2026, o EI permite faturamento anual de até R$ 81.000,00 e oferece uma estrutura tributária mais simples em comparação a uma sociedade ou empresa de médio porte.
O profissional que abre um EI passa a ter CNPJ próprio, pode emitir notas fiscais e acessa benefícios previdenciários por meio do recolhimento mensal do DAS (Documento de Arrecadação do Simples).
Atenção: O EI e o MEI são categorias diferentes. O MEI tem limite de faturamento menor (R$ 81.000,00 também em 2026, mas com restrições de atividade mais severas). Para dentistas, o EI costuma ser mais adequado justamente por não bloquear atividades regulamentadas pelo CRO.
Sim, dentistas podem se enquadrar como Empreendedor Individual. A atividade de "Atividades de práticas odontológicas" está entre as CNAEs permitidas para abertura de EI.
No entanto, é fundamental considerar alguns pontos antes de formalizar:
O processo de abertura é bastante direto. Veja o passo a passo:
O cadastro é feito pelo Portal do Empreendedor, plataforma oficial do Governo Federal. Você vai precisar de:
Ao preencher o cadastro, selecione o CNAE correspondente à sua atuação. Para dentistas, a atividade é "Atividades de práticas odontológicas" (CNAE 8630-5/04). Escolher o CNAE errado pode gerar problemas fiscais e até impedir a emissão de notas fiscais para determinados serviços.
Após concluir o cadastro, você receberá o Certificado da Condição de Microempreendedor Individual (CCMEI). Esse documento comprova sua regularização e permite que você emita notas fiscais de serviço. O CCMEI é gratuito e gerado automaticamente pelo portal.
Como dentista, você também precisa garantir que o seu registro no Conselho Regional de Odontologia (CRO) esteja ativo e que a abertura do EI esteja em conformidade com as normas do conselho profissional. Alguns municípios exigem ainda o alvará de funcionamento e o cadastro na prefeitura para emissão de nota fiscal de serviços (NFS-e).
Com o CNPJ ativo, você pode solicitar acesso ao sistema de emissão de NFS-e da sua prefeitura e começar a faturar de forma legalizada.
Abrir um EI oferece benefícios concretos para o dentista que quer empreender com segurança:
Com o recolhimento mensal do DAS, o dentista contribui para o INSS e passa a ter direito a:
Essa proteção é especialmente importante para profissionais autônomos que, sem vínculo empregatício, ficam desprotegidos em situações de imprevistos.
O EI tem obrigações fiscais mais simples do que outras estruturas jurídicas. Não há necessidade de escrituração contábil complexa nem assembleias ou alterações contratuais. O processo de abertura e encerramento também é mais ágil.
A tributação do EI é calculada sobre o faturamento com alíquotas do Simples Nacional, geralmente menores do que as aplicadas a pessoas físicas com alta renda tributável. Isso representa uma economia real no recolhimento de impostos.
Ter CNPJ abre portas para:
Assim como qualquer estrutura jurídica, o EI tem restrições importantes. Avalie com atenção:
Para dentistas com faturamento crescente, clínicas em expansão ou que desejam ter sócios, a Sociedade Limitada Unipessoal (SLU) ou a Sociedade Simples costumam ser estruturas mais adequadas. Um contador especializado em saúde pode ajudar a identificar o melhor caminho.
A escolha da estrutura jurídica ideal depende do momento do seu negócio. Veja uma comparação rápida:
| Critério | EI | SLU | Sociedade Simples |
|---|---|---|---|
| Faturamento máximo | R$ 81 mil/ano | Sem limite | Sem limite |
| Sócios | Não permite | Não permite | Permite |
| Responsabilidade | Ilimitada | Limitada | Limitada |
| Complexidade | Baixa | Média | Média |
| Ideal para | Início de carreira | Dentista solo consolidado | Clínica com parceiros |
Se você está começando, atende poucos pacientes e quer apenas se regularizar, o EI é uma porta de entrada excelente. Mas planeje a migração assim que seu faturamento começar a crescer.
Os custos mensais de um EI são compostos principalmente pelo recolhimento do DAS, cujo valor varia conforme a atividade e o faturamento, calculado pelas alíquotas do Simples Nacional.
Além do DAS, é recomendável contar com o suporte de um contador especializado em saúde para:
O custo de uma assessoria contábil especializada é baixo em comparação com o que você pode economizar em impostos e evitar em multas.
Dentistas não podem abrir MEI, pois a atividade de odontologia é regulamentada por conselho profissional (CRO) e está entre as atividades vedadas para o MEI. A categoria mais próxima e acessível para dentistas autônomos é o Empreendedor Individual (EI), que não tem essa restrição.
Em 2026, o limite de faturamento anual do Empreendedor Individual é de R$ 81.000,00. Se o dentista ultrapassar esse valor, será necessário migrar para outra estrutura jurídica, como a Sociedade Limitada Unipessoal (SLU) ou uma sociedade simples.
O Empreendedor Individual pode ter até um empregado, desde que pague o salário mínimo ou o piso da categoria. No entanto, para dentistas que precisam de mais profissionais ou uma estrutura de clínica maior, outras formas jurídicas são mais recomendadas.
O EI recolhe impostos pelo Simples Nacional por meio do DAS mensal, o que já inclui a contribuição previdenciária (INSS). Dependendo do faturamento e da distribuição de lucros, o dentista pode precisar declarar o Imposto de Renda Pessoa Física. Um contador especializado pode orientar sobre a melhor estratégia para minimizar a carga tributária.
Depende do momento do negócio. Para dentistas que estão começando, com faturamento abaixo de R$ 81 mil anuais e atuando de forma individual, o EI é uma excelente porta de entrada: simples, barato e já oferece CNPJ e proteção previdenciária. Quem já tem agenda consolidada, pretende crescer ou quer mais proteção patrimonial deve avaliar a Sociedade Limitada Unipessoal (SLU) com o apoio de um contador.
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